 |
| Grandjean de Montiny, arquiteto francês. |
|
O arquiteto Auguste-Henri-Victor Grandjean de Montigny nasceu em
1777 no
aristocrático bairro de Marais, em Paris. Como acontece com
inúmeras
personalidades no Brasil, o arquiteto e professor Grandjean de Montigny
só teve seus méritos reconhecidos após a morte.
Considerado o patrono do ensino
de arquitetura no Brasil, enquanto viveu o arquiteto francês
teve o seu talento
questionado por brasileiros e portugueses. Situação
pela qual não passou nem
em sua terra natal.
Na França, com apenas 23 anos, Grandjean de Montigny conquistou
o Prix
de Rome, maior prêmio artístico de sua época.
O feito lhe valeu uma viagem de
quatro anos para Roma, onde estudou a arquitetura clássica,
escreveu alguns
livros e fez inúmeros desenhos dos templos antigos.
De volta a Paris, com a reputação em alta, o jovem arquiteto
teve seu talento
reconhecido por Percier e Fontaine, principais arquitetos de seu tempo,
autores
dos projetos para o império de Napoleão. Foram eles
que o indicaram para
trabalhar na corte da Westfália, quando Napoleão conquistou
o território e o
deixou sob o comando de seu irmão Jerome Bonaparte. Tão
logo o arquiteto
concluiu seus primeiros projetos - a reforma do palácio e a
criação de um
jardim - Napoleão perdeu a guerra e os franceses abandonaram
às pressas o
local.
De volta a Paris, o ambiente lhe era hostil, como o era para todos
os
bonapartistas. Grandjean de Montigny recebeu, então, dois convites:
um para a
corte russa e outro para a corte lusa. Aceitou a segunda opção
e veio para o
Brasil.
Fora a valiosa pensão que o governo real pagava aos artistas
da Missão
Francesa, seu passado de prestígios na Europa representou poucas
garantias.
No Brasil Grandjean de Montigny teve que reconstruir quase tudo: sua
reputação e até mesmo a sua família, já
que a esposa que trouxera de Paris,
mãe de seus quatro filhos, morreu pouco tempo depois de chegar
ao Rio.
Consagrados em seu país de origem, a maioria dos artistas não
resistiu ao
assédio corrosivo e à discórdia promovida pelos
artistas portugueses.
Excluindo os irmãos Ferrez, que fundaram empresas no Brasil,
Montigny foi o único integrante da missão que não
voltou à França.
Trabalhou até os últimos dias de vida, conservando no
alto dos seus 78 anos
uma firmeza na mão que impressionava seus contemporâneos.
Prestava
serviços de consultoria à prefeitura da cidade e, apenas
dois anos antes de
morrer, concluiu um belo projeto para o Senado, cujo original encontra-se
bem
conservado no acervo do Museu Nacional de Belas Artes. Àquela
altura a maioria de seus detratores já havia morrido, mas seus
discípulos permaneciam vivos para propagar sua influência
neoclássica e fazer
seu nome popular em todas as escolas de arquitetura do Brasil.
|
|
 |
| Pórtico principal da Academia
de Belas Artes. |
|
Nos 24 anos que viveu no Rio de Janeiro, onde faleceu em 1850, Grandjean
de
Montigny trabalhou intensamente. Mas, dentre todos os projetos que
criou,
apenas três resistiram ao tempo: a casa que construiu para morar
na Gávea, o
Solar Grandjean de Montigny – hoje restaurado e transformado
em centro de
cultura;
o pórtico principal da Academia de Belas Artes – transferido
para o Jardim
Botânico; e a Praça do Comércio, a atual Casa
França-Brasil.
Em 2000, o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Rio de
Janeiro
celebrou o ano Grandjean de Montigny, em homenagem ao centésimo
qüinquagésimo aniversário de sua morte. Em 2003,
o Museu Nacional de Belas
e a 1ª Mostra Internacional de Arquitetura no Rio de Janeiro
apresentaram
a exposição Grandjean de Montigny.
Parte de seus projetos e desenhos encontra-se no Museu Nacional de
Belas
Artes, na Biblioteca Nacional, no Museu D. João VI da Escola
Nacional de Belas
Artes e no Museu da Cidade.
|
|